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Amigo e camarada Marco, texto esclarecido, tal como é hábito com a tua lavra.

No entanto, penso que perde vigor quando chega à parte de propor soluções. Referendos, orçamentos participativos, e assembleias cidadãs, são sem dúvida instrumentos conducentes a mais democracia, pois pelo menos introduzem um grauzinho extra de incerteza nos processos de tomada de decisão, que normalmente têm sempre os mesmos intervenientes (alguns deles eleitos, imagine-se!), e que acontecem sempre nos mesmos lugares, e sempre seguindo os mesmos trâmites.

No entanto, há uma limitação que tu mesmo pressentes ao falares da manufactura de consentimento (portanto de propaganda): é que os populares que viessem a ser incluídos nos processos de tomada de decisão continuariam exposto à mesmíssima manufactura que denuncias. É ela que define o que é aceitável e o que não é aceitável, o que é bom e o que é mau, o que é "freedom fighter" e o que é "terrorista". É lá coincidência que todos os grandes meios de comunicação social privados estejam na mão de multi-milionários, tratando-se de um negócio de tão magros lucros?

A probabilidade desses populares serem alinhados com a narrativa vigente é portanto muito grande. Ainda assim, repito, seria um factor acrescido de imprevisibilidade num sistema que é tragicamente previsível, embora não anteveja que se ganhe mais do que lograr impor pequenos revezes temporários e esporádicos aos grandes Poderes.

É que o nome do sistema, aquele que aparta quem tem de quem não tem, aquele que garante que se possa possuir terra sem a fresar, casa sem a habitar, fábrica sem produzir -- resumindo, o sistema que permite que uns vivam do trabalho dos outros --, o nome desse sistema não é República nem Monarquia, assim como não é Socialismo nem Fascismo... essas são apenas os seus fatos de cerimónia. O nome do sistema é Estado-nação, e é invisível para a maior parte das pessoas.

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